O cinema musical na Argentina está intrinsecamente ligado ao tango, “verdadeiro veículo da expansão do cinema argentino, dentro e fora do país”, como frisa Paranaguá (1984, p.41). O primeiro filme sonoro da história do cinema argentino é um musical e já tem tango. O curta-metragem Mosaico Criollo (1929) lançou o engenheiro de som e produtor Alfredo Múrua e possui a canção Botaratepor, interpretada por Anita Palmero e primeiro tango cantado na história do cinema argentino. Poucos anos depois é lançado o primeiro longa-metragem musical, Tango (1933), que juntou inúmeras estrelas da música do país, como Azucena Maizani, Tita Merello e Mercedes Simone para anunciar o que viria a configurar o cinema argentino nos anos seguintes: filmes musicais com números de tango.

Quando o assunto é a mescla do filme musical com o tango argentino, dois grandes nomes se destacam: Carlos Gardel e Hugo del Carril. Gardel protagonizou, entre outras “operetas tangueras”, Esperáme (1933), El día que me quieras (1935) e Tango Bar (1935), enquanto del Carril foi destaque nos filmes como La vida es un tango (1939), La vida de Carlos Gardel (1939), El astro del tango (1940) e La canción de los barrios (1941).

Se por um lado Carlos Gardel morreu trágica e precocemente em um acidente de avião em 1935, del Carril seguiu na ativa, também como realizador. Entre 1949 e 1975, dirigiu 15 filmes, entre eles alguns que eram ou musicais ou relacionados muito diretamente ao gênero, como Historia del 900 (1949), El Negro que tenía el alma blanca (1951), Amorina (1961) e Buenas noches, Buenos Aires (1964).

Outro nome significativo quando se trata de musicais argentinos é o cantor, ator, produtor e diretor Leonardo Favio. Entre o final dos anos 50 e princípio dos anos 70, atuou em comédias musicais como El angél de España (1957), Fuiste mía un verano (1969) e Simplemente una rosa (1971).

Nos anos 60, o rock and roll invadiu o mundo e se na Inglaterra os Beatles estavam realizando musicais como A hard days’s night (1964) e Help! (1965) e no Brasil tínhamos Roberto Carlos com Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1968) e Roberto Carlos em ritmo de aventura (1968), a Argentina tinha Palito Ortega, cantor que foi o principal responsável por popularizar pelo mundo o rock em espanhol, atuando em muitas comédias musicais como a já mencionada Buenas noches, Buenos Aires (1964), dirigida por del Caril, El club del clan (1964) e Amor en el aire (1967).

Nas décadas seguintes, o país segue com uma produção estável do gênero, mas trazendo outras temáticas e com influências de musicais ao estilo da Broadway, fazendo inclusive versões próprias das produções estadunidenses. No entanto, os mais emblemáticos são os musicais que ainda trazem o tango como música central.

Pouco após o fim do último golpe de estado na Argentina, foi lançado O Exílio de Gardel: Tangos (1985), de Fernando Solanas, premiado em dois dos principais festivais do mundo, Havana e Veneza, e que traz personagens exilados pela ditadura (1976-83) como norte do filme. Ainda no período que sucede o governo militar, vale citar o hispano-argentino Tango (1998), de Carlos Saura, Aniceto (2008), de Leonardo Fávio, e La cantante de tango (2008), de Diego Martínez Vignati.

A lista é bem maior. Historicamente, junto com México e Brasil, a Argentina formou o tridente fílmico mais prolífico da América Latina. São centenas de longas conectados de alguma maneira ao musical, especialmente quando incluímos também os documentários. Recentemente, em 2014, o musical Fermín, Glórias del Tango (2014), abriu a trigésima edição do Festival de Cine Latino de Chicago, reafirmando que os musicais sobre o gênero do tango permanecem forte nas produções argentinas e seguem despertando interesse mundial.

Inara Rosas e Leandro Afonso

REFERÊNCIAS

KING, John. El carrete mágico. Una historia del cine latinoamericano. Bogotá: Tercer Mundo Editores, 1994.

MARIS POGGIAN, Stella. El cine argentino em quatro clases, Clase 2 El cine de estudios. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Centro de Formación Continua y Producción –Cefopro, 2008. Disponível em: www.mediafire.com, último acesso em maio de 2015.

PARANAGUÁ, Paulo Antonio. O Cinema na América Latina: Longe de Deus e perto de Hollywood. Porto Alegre: L&PM, 1984.

PEÑA, Fernando Martín. Ensayo: notas sueltas sobre el tango en el musical argentino. Grupo Kane (ISSN: 1852 8317), agosto de 2009. Disponível em: www.grupokane.com.ar, último acesso em maio de 2015.

Bases de Dados 

Cinemargentino – www.cinemargentino.com


Blogs, Sites e Publicações

Cine Nacional – www.cinenacional.com


Órgãos Representativos

INCAA – Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales – ant.incaa.gob.ar


Mostras e Festivais

Festival de Cine de Mar del Plata – www.mardelplatafilmfest.com

Festival Internacional de Cine Independente de Cosquín – www.ficic.com.ar


Produtoras

Argentinacine – www.argentinacine.com


Universidades e Escolas de Cinema

Universidad del Cine – ucine.edu.ar

Universidad Nacional de la Plata – Departamento de Artes Audiovisuales – aaudiovisuales.fba.unlp.edu.ar

Universidad Nacional de las Artes – audiovisuales.iuna.edu.ar