Desde suas primeiras primeiras produções o cinema boliviano carregou a marca de um cinema com preocupações acentuadamente históricas e políticas. Dos dramas alegóricos políticos como Yawar Mallku – O Sangue do Condor (1969) de Jorge Sanjinés, que tratavam das questões da reconstituição de um acontecimento histórico, aos documentários antropológicos sobre as manifestações culturais do país como Vuelve Sebastiana (1963) de Jorge Ruiz, percebe-se uma forte proposta de utilização do cinema como um instrumento de educação política e memória.

O primeiro período de produção sistemática de filmes se inicia ainda no período mudo a partir da criação da empresa S.A. Cinematográfica Boliviana, que posteriormente veio se tornar a Bolivia Films em 1924. Com uma produção de documentários de viagens e muitos dramas políticos, o período alcançou o apogeu em 1930 com a grande produção Wara Wara de José María Velasco Maidana, que atualizava uma recorrente narrativa da colonização indígena ao redor do mundo: O amor de uma princesa indígena por um tripulante das grandes navegações.

O segundo grande período do cinema boliviano se inicia com a criação da produtora Bolívia Films em 1947 que vai propiciar o começo da parceria entre Jorge Ruiz e Augusto Roca que a partir de 1953 vão liderar o chamado Novo Cinema Boliviano junto com Jorge Sajinés e Antonio Eguino. Com uma intensa produção de documentários históricos e políticos, o período marca a passagem para o cinema sonoro com o filme Al pie del Illimani (1947) filmado pela empresa Emeco, e o primeiro filme colorido Donde nació un imperio (1948), curta-metragem dirigido por Ruiz e Roca. O prolífico período tem estreita relação com o projeto governamental de integração do país através do audiovisual. Muitos filmes sobre grupos culturais, mitologia indígena e dramas alegóricos contra a dominação americana delineou uma identidade do cinema boliviano que perdura até os dias de hoje. Após a ascensão da ditadura militar o projeto é desfeito e o cinema boliviano entra em sua primeira grande recessão em 1973, e a produção de filmes só será retomada com vigor no começo dos anos 80.

O cinema musical teve uma produção restrita aos filmes de registro documental de apresentações de grupos musicais folclóricos, como Patria Linda (1972) de Alfredo Estívariz y José Fellman e co-produções com o cinema argentino como Sus ojos se cerraron y el mundo sigue andando (1997) de Jaime Chavarri.

André Félix

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

MARIACA, Guillermo; SOUZA Mauricio. Cine Boliviano Fundamental. San Andrés: UMSA Editora, 2014.

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