O cinema musical no Chile possui seus primeiros registros na década de 1940. Doze anos após o primeiro longa-metragem sonoro, a produção Música En Tu Corazón (1946) revela as primeiras tentativas de fazer musicais ao estilo “Hollywood”, num dos mais antigos musicais chilenos de que se tem notícia. Ayúdeme usted, compadre (1968), do diretor Germén Becker, manteve durante décadas o título de filme mais visto no país. O segredo para tanto sucesso parece ter vindo de uma combinação poderosa de astros da televisão, música e rádio da época, com uma forte representação da cultura chilena. Nomes como Los Perlas, Los Huasos Quincheros, Gloria Simonetti, Arturo Gatica y Pedro Messone deram voz ao filme, ajudando a torná-lo um fenômeno.

No ano seguinte, Becker tentou repetir o sucesso com o musical Volver (1969), desta vez focando não especificamente na cultura local, mas no folclore sul-americano como um todo, trazendo para o filme astros de outros países, como México e Peru. É possível que o fato deste não ter conseguido alcançar o êxito do primeiro revele algo sobre a ligação entre o sucesso do gênero musical e os astros e manifestações culturais locais, da época.

Durante a década seguinte a produção de musicais chilenos manteve uma tímida continuidade. Os longas-metragens musicais ficcionais praticamente saíram de cena, e ganharam destaque os filmes para televisão e documentários, que contavam a vida de estrelas da música chilena. Entre outras obras, em 1984, o curta-documentário de Juan Francisco Vargas, Santiago Blues, ressalta o legado do trompetista Lucho Aránguiz; em 1986, Los rockeros chilenos, de Cristián Galaz, produzido para televisão, analisa a cena pop chilena no final da ditadura; El derecho de vivir en paz (Parot, 1999) documenta a vida do teatrólogo, compositor e cantor Víctor Jara. A partir dos anos 2000 a produção do país apresenta um pequeno crescimento, porém, ainda majoritariamente dentro do binômio televisão/documentário. Deste último grupo destaca-se a cinebiografia da cantora Violeta Parras, Violeta se fue a los cielos (Wood, 2011), que recebeu dezoito indicações a prêmios, das quais levou onze, incluindo o Prêmio do Grande Júri do Festival de Sundance 2012.

A história da produção fílmica no país é marcada pela inconstância, mas também por consquistas como o Festival de Viña Del Mar, hoje reconhecido internacionalmente, assim como o Nuevo Cine Chileno (NUÑEZ, 2010).   de Apesar de não ter uma cinematografia musical muito extensa, o cinema chileno possui algumas dezenas de obras que contribuem para a compreensão do panorama do cinema musical da América Latina, que iremos analisar ao longo deste trabalho.

Monique Aguiar

 

Referências bibliográficas

NUÑEZ, Fabián, Panorama histórico do cinema chileno: do silencioso ao contemporâneo (primeira parte). In: Rua – Revista Universitária de Audiovisual. 15 de outubro de 2010a. Disponível em: <http://www.rua.ufscar.br/site/?p=3052>. Acesso em: 15 de maio de 2015.

______________ Panorama histórico do cinema chileno: do silencioso ao contemporâneo (segunda parte). In: Rua – Revista Universitária de Audiovisual. 15 de outubro de 2010b. Disponível em: <http://www.rua.ufscar.br/site/?p=3067>. Acesso em: 15 de maio de 2015

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