A cinematografia cubana possui uma pequena quantidade de produções e co-produções musicais, de ficções a documentários, com cerca de vinte e cinco obras do gênero indexadas na base de dados do Internet Movie Database (IMDb). Os registros dão conta de produtos feitos a partir dos anos de 1940, com obras como a co-produção entre Espanha e Cuba Embrujo Antillano (1946), e seguindo com a produção consistente de musicais de ficção que vai até o início da década de 1960.

De acordo com King (1994), poucos filmes foram produzidos em Cuba neste período e de 1930 a 1958 a ilha realizou apenas 80 longas, muitos deles melodramas ou comédias musicais. Para se ter uma ideia do lento desenvolvimento da produção nesta época, Paranaguá (1984) afirma que o primeiro curta-metragem sonoro cubano, Maracas y Bongó, foi realizado em 1932. Já o primeiro longa sonoro do país, a narrativa policial La Serpiente Roja, saiu apenas em 1937, dez anos depois do lançamento de O Cantor de Jazz (1927), primeiro longa sonoro dos Estados Unidos.

Durante os anos de 1960 a 1980 a produção do gênero se torna mais esparsa. King (1994) afirma que entre 1959 e 1987 a produção chegou a 164 longas, sendo 112 de ficção, 49 documentários e 3 animações. Durante os anos de 1960 o cinema cubano é definido por King (1994) como um cinema revolucionário, no qual mesmo comédias como La Muerte de un Burócrata (1966) faziam “um ataque divertido, mas devastador da padronização burocrática” e também às fórmulas de Hollywood. Durante os anos de 1970, o pesquisador afirma ainda que a cinematografia cubana continuava a lidar com esse viés revolucionário, abordando questões de classe, gênero e etnia, enquanto tentavam tornar tudo isso atrativo ao público que buscava entretenimento. Parece, portanto, que apesar do aumento da produção, essa preocupação com a ideologia revolucionária afastou um pouco o cinema cubano do musical.

A partir dos anos de 1980, no entanto, King (1994) identifica um retorno à época anterior a este cinema revolucionário e então começamos novamente a encontrar algumas obras musicais tanto de ficção, como La Bella del Alhambra (1989), ou documentário, como Tango y Tango (1984). Depois do início dos anos 2000 a produção de obras musicais parece retornar com uma maior consistência e foco no documentário, mas ainda encontramos obras de ficção como Bailando Chachacha (2005) ou Irremediablemente Juntos (2012).

Lucas Ravazzano

 

Referências bibliográficas

KING, John. El Carrete Mágico: Una História del Cine Latinoamericano. Bogotá: Tercer Mundo Editores, 1994.

PARANAGUÁ, Paulo Antônio. O Cinema na América Latina: Longe de Deus, Perto de Hollywood. São Paulo: L&PM Editores, 1984.

Bancos de Dados

Películas Cubanas Completas (streaming) – kubaneando.net

Filmes cubanos para assistir online (1960-2014), artigo sobre História do Cinema Cubano. – www.cubacineonline.com


Blogs, Sites e Publicações

Breve matéria sobre o cinema musical cubano no blog Vitral de Cuba – vitraldecuba.com


Universidades e Escolas de Cinema

Escuela Internacional de Cine y Televisión – www.eictv.org