Um país pequeno que se localiza entre as maiores áreas da América Latina. Caberiam 48 Uruguais no Brasil, e caberiam outros 15 na Argentina, o vizinho culturalmente mais próximo, e com quem sempre manteve uma relação tão estreita quanto conflituosa.

A diálogo entre o cinema e a música popular começou no Urugai na década de 1930, mas perdura até hoje em filmes como Gardel: ecos del silencio (1997). Ele defende a origem uruguaia do cantor Carlos Gardel, questão polêmica, já que o lado oeste do Rio da Prata diz que ele é francês de Toulouse, enquanto os uruguaios alegam que ele nasceu em Tacuarembó.

Dos Destinos (Juan Etchebehere, 1936), o primeiro filme da era falada no país, tem um cantor radiofônico como atração. Pouco depois, quem se volta para a música é Vocación? (Rina Massardi, 1938). Também rendem tributo às ondas Radio Candelario (Rafael Jorge Abella, 1939) e Detective a Contramano (Adolfo L. Fabregat, 1949).

Na década de 1950, um boom. Em 1952, é fundada a Cinemateca Uruguaia. Três anos depois, é a vez do Cine Clube de Uruguay. Nessa época, o país tinha um dos maiores índices de cine per capita do mundo, com uma média de 15 a 20 idas por ano ao cinema. Com democracia estável e próspera, e economia baseada na exportação de riquezas primárias, era chamado de “Suíça da América Latina”. Nos anos 1960, no entanto, veio a crise econômica e o advento da televisão, e nos anos 1970 e 1980 o regime militar (1973-1985), uma das ditaduras menos publicitadas e mais severas do continente, quando muito se exilou e pouco se produziu.

Mas após a ditadura, e principalmente a partir dos anos 2000, o Uruguai voltou a ter uma quantidade razoável de filmes com circulação internacional. Não só com César Charlone, Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, provavelmente os mais conhecidos diretores do país nos festivais de cinema, mas também com filmes muitos próximos da música.

Seja no tom onírico-carnavalesco de A Dios Momo (Leonardo Ricagni, 2006), ou no gênero assumidamente musical de Miss Tacuarembó (Martín Sastre, 2010), as canções permanecem. E se o caminho for o documentário, a presença delas é ainda maior.

Jaime Ross a las 10 (Guillermo Casanova, 1994) segue uma turnê do cantor homônimo, enquanto La Tabaré, rocanrol y después (Mariana Viñoles y Stefano Tononi, 2008) tem como norte o cantor Tabaré Rivero, ligando a história do Uruguai pós-ditadura à sua carreira. La Matinée (Sebastián Bednarik, 2007) tem o carnaval como mote principal, assim como Cachila (Sebastián Bednarik, 2004), que liga a festa a uma tradição familiar. Já Hit (Claudia Abend e Adriana Loeff, 2008) percorre 50 anos da música e da história uruguaias.

Como última lembrança para esse breve introdução, vale um retorno ao gênero mais renomado do Rio da Prata, presente no documentário La Cumparsita, el tango uruguaio (Darío Medina, 2004), uma referência àquele que talvez seja o tango mais famoso já feito, escrito pelo urugaio Gerardo Matos Rodríguez. Esses e outros filmes ligados à música que serão abordados ao longo da nossa pesquisa.

Leandro Afonso

Referências

KING, John. El Carrete Mágico. TM Editores, Traducción: Gilberto Bello, 1990.

PARANAGUÁ, Paulo Antonio. O Cinema na América Latina: Longe de Deus e perto de Hollywood, L&PM, Porto Alegre, 1984.

Catálogo de documentales uruguayos: 1985-2009. Disponível em: www.icau.mec.gub.uy. Acesso: 13 de maio, 201

Universidades e Escolas de Cinema

El Cine Uruguayo (Universidad de La República, Red Académica Uruguaya) – www.rau.edu.uy


Bancos de Dados

Películas de Uruguay – www.elmulticine.com


Órgãos Representativos

Cinemateca Uruguaya – www.rau.edu.uy

Cinemateca Uruguaya_bibliografia – www.cinemateca.org.uy

Cinemateca Uruguaya_cineclube – www.cinemateca.org.uy